Antes das barracas coloridas, das frutas planejadas e do movimento que hoje reúne milhares de pessoas pelas ruas de Osasco, o comércio dos feirantes da cidade acontecia de um caminho bem diferente. Na década de 1950, quando Osasco ainda não havia conquistado sua emancipação e fazia parte da cidade de São Paulo, produtos eram transportados e vendidos em carroças.
A história ganha destaque neste mês de agosto, quando no dia 25, é celebrado o Dia do Feirante, data que comemoram a vida de profissionais que acordam antes do amanhecer para trazer alimentos, sabores e produtos para diferentes bairros da cidade.
Os relatos dos próprios feirantes apontam que as primeiras feiras de Osasco aconteciam em exclusivamente dois locais: na Vila dos Remédios e na Avenida João Batista, na área central. Mais de seis décadas depois, a atividade cresceu junto com o município e se transformou em uma tradição que continua sendo passada de geração em geração.
Uma dessas histórias é a da família Aristides, descendente de imigrantes portugueses e ligada ao comércio de rua desde os anos 1950. Tudo iniciou com Manuel Aristides e sua esposa, Alice, que deram começo a uma trajetória que continua viva entre filhos, netos, tios e primos.
Uma vida inteira entre caixas, frutas e barracas
A tradição foi mantida através do filho do casal, Luiz Moreira Aristides, hoje aposentado, e chegou à terceira geração com Robson Luiz de Souza Aristides, de 45 anos. Atualmente, por volta de 15 integrantes da família trabalham como feirantes em diferentes regiões de Osasco, com bancas no Centro e nas zonas Norte e Sul.
Robson conta que sua relação com as feiras iniciou antes mesmo de compreender o significado da profissão.
“Meus avós começaram nos anos 1950 vendendo em carroças. Naquela época só tinha o que hoje chamamos de feira em dois lugares, uma na Vila dos Remédios e outra na Avenida João Batista, no Centro. A tradição de feirante foi mantida e eu posso dizer que nasci e cresci em uma feira. Quando pequeno, ficava dentro de uma caixa enquanto meus pais trabalhavam”, relembra.
No começo, a família comercializava legumes. Com o passar dos anos, a atividade mudou, mas a essência permaneceu: hoje, os integrantes da família trabalham principalmente com a venda de frutas.
Para Robson, continuar na profissão também significa preservar uma história construída por seus avós e mantida por diferentes gerações. Uma rotina que exige disposição e começa muito antes de as primeiras barracas serem montadas.
“Não é fácil madrugar todos os dias para retirar os produtos no Ceasa e ir para a feira nas primeiras horas do dia para vender, mas para mim é algo muito especial manter essa tradição”, afirma.
Feiras cresceram junto com Osasco
Durante das décadas, Osasco cresceu e suas feiras livres acompanharam essa transformação. Atualmente, o município conta com 54 feiras, sendo 52 diurnas, realizadas das 7h às 14h, de terça-feira a domingo, e duas noturnas, que funcionam das 17h às 22h.
A maior delas ocorre aos domingos, na Avenida João de Andrade. São por volta de 360 bancas distribuídas por aproximadamente um quilômetro, recebendo um público previsto em até 40 mil pessoas.
Entre frutas, verduras, legumes e hortaliças, as feiras também reúnem bancas de peixes, frango, laticínios, ovos, temperos, pastéis, caldo de cana, plantas, produtos de empório, ferragens, roupas e calçados.
Ao todo, aproximadamente 400 mil pessoas circulam todas as semanas pelas feiras livres de Osasco, reforçando a necessidade desses espaços não exclusivamente para o comércio, mas também para a rotina e a identidade dos bairros.
Mesmo diante das mudanças no consumo e do aumento da concorrência, a feira continua sendo, para muitas famílias, mais do que um trabalho. É o sustento construído antes do sol nascer, o contato direto com os clientes e uma profissão transmitida de pais para filhos.
Neste Dia do Feirante, celebrado em 25 de agosto, histórias como a da família Aristides ajudam a contar também uma parte da história de Osasco. Das carroças que percorriam as ruas da antiga comarca às centenas de barracas espalhadas através da cidade, a tradição se mantém viva — e continua sendo carregada, todos os dias, por quem faz da feira muito mais do que um local de trabalho.
Com informações de Visao oeste

