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Robotáxis, drones e IA desenham o futuro da mobilidade urbana

25/06/2026
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Robotáxis, drones e IA desenham o futuro da mobilidade urbana
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Há poucos anos, a ideia de chamar um carro sem motorista pelo celular ou receber uma encomenda entregue por um drone parecia algo distante da realidade, quase como em um episódio da série animada “Os Jetsons”. Mas é justamente essa a proposta de buscar novas tecnologias e soluções que vêm ganhando espaço no setor de mobilidade.

Novas aplicações já são testadas em diferentes partes do mundo e ajudam a desenhar um cenário em que a mobilidade será cada vez mais conectada, automatizada e orientada por dados advindos inteligência artificial capazes de otimizar deslocamentos e prever riscos.

“A mobilidade urbana está passando por uma transformação profunda. Nos próximos anos, veremos uma integração cada vez maior entre diferentes modais, serviços digitais e tecnologias capazes de tornar os deslocamentos mais eficientes e personalizados”, explica Thiago Hipólito, diretor de inovação da 99.

Ao Giro S/A, a 99 afirmou que trabalha em soluções que simplifiquem o dia a dia, reduzam fricções e ofereçam alternativas adequadas a diferentes ocasiões, seja para se deslocar, pedir comida, realizar entregas ou acessar serviços financeiros.

A companhia vem apostando o fortalecimento de seu ecossistema, que reúne mobilidade, delivery (99Food), serviços financeiros (99Pay) e envio de objetos e frete (99Entrega) para oferecer conveniência aos usuários, bem como melhorar a mobilidade urbana.

Já o iFood, cuja sede está localizada em Osasco, implantou recentemente o delivery aéreo com o uso de drones. A primeira entrega ocorreu em Alphaville, na cidade de Barueri e foi criado para um dos principais gargalos na região: trajetos com alta taxa de rejeição por parte dos entregadores, especialmente em grandes condomínios do município.

Segundo a empresa, quase 50% dos pedidos destinados à localidade eram recusados devido à dificuldade de acesso e ao tempo de espera dos entregadores nas portarias. Além de reduzir o tempo das entregas, a novidade busca ampliar a área de cobertura dos restaurantes e aumentar a eficiência logística na Grande São Paulo.

Na avaliação de Rodolfo Klautau, diretor de Logística do iFood, o futuro da logística urbana será impulsionado por uma combinação de tecnologias. Para a reportagem, o executivo comentou o potencial da inteligência artificial, dos drones, dos veículos autônomos e da eletrificação da frota para tornar as operações mais eficientes e sustentáveis.

“A Inteligência Artificial atua coordenando múltiplas variáveis em tempo real (como tempo de preparo, trânsito e rotas), enquanto os drones, robôs autônomos e a eletrificação da frota (e-bikes) entram como os braços operacionais para resolver problemas específicos de eficiência, custo e sustentabilidade regional, sempre auxiliando o trabalho dos entregadores, que são e continuarão sendo o ponto principal de toda a operação”, ressalta Klautau.

Para a 99, o futuro da mobilidade deve ter a integração de soluções e IA

À sua reportagem, Thiago Hipólito esclarece que as transformações na mobilidade brasileira precisará combinar diversos fatores como inovação de ponta com soluções adaptadas à realidade local, considerando a diversidade das cidades e as necessidades da população.

Junto à isso, o país também deve entrar uma fase em que sistemas inteligentes tomar decisões complexas em tempo real, tornando os deslocamentos mais seguros, eficientes e personalizados deixam de apenas apoiar operações e passam a melhorar a mobilidade.

“Se a inteligência artificial será o cérebro da mobilidade do futuro, a eletrificação será sua base energética. Além disso, veremos avanços importantes em conectividade veicular, análise de dados em larga escala e, gradualmente, em tecnologias de condução autônoma. O resultado será uma mobilidade mais inteligente, capaz de antecipar necessidades, otimizar recursos e oferecer experiências cada vez mais adaptadas ao contexto de cada usuário”, relata Hipólito.

O gestor explicou que a IA já faz parte da operação da 99, sendo utilizada para otimizar o pareamento entre passageiros e motoristas parceiros, prever padrões de demanda, identificar comportamentos de risco e tornar a operação mais eficiente, bem como a mobilidade urbana.

Uma das aplicações é na 99Food, a tecnologia é aplicada de forma semelhante, fazendo o “match” ideal entre o pedido e o entregador. Além disso, por meio de mapas próprios, desenvolvidos a partir das corridas de moto, a tecnologia traça as melhores rotas e o cálculo com mais precisão do tempo de preparo dos pratos, conseguimos otimizar todo o processo de delivery.

A 99 utiliza inteligência artificial em seus serviços (Divulgação/99)

“Acreditamos que a inteligência artificial será para a mobilidade/delivery o que a internet representou para a economia digital: uma tecnologia capaz de redefinir a forma como pessoas, serviços e cidades se conectam”, elucida Thiago Hipólito.

Na China, a DiDi, controladora da 99 no Brasil, anunciou em abril deste ano o lançamento de um assistente de viagem com inteligência artificial que atende a comandos de voz dos usuários.

Integrado ao app, o assistente permite que o usuário solicite corridas por meio de comandos de voz, que podem ser feitos em linguagem natural, de forma vaga ou complexa.

A partir dessas interações, o sistema desconstrói as frases do usuário em tags de serviço específicas, filtrando os carros disponíveis para encontrar um que melhor se adeque às necessidades daquele usuário.

“Se não houver uma viagem exatamente como a solicitada disponível, o agente de IA é desenhado para priorizar necessidades chave do usuário, oferecendo a opção mais próxima. Ele é programado para administrar, com facilidade, vários pontos de partida simultâneos e oferecer opções de transporte multimodal para viagens longas”, ressalta Hipólito.

Na avaliação da 99, os veículos autônomos deixaram de ser apenas uma promessa tecnológica e já representam uma tendência concreta para o futuro da mobilidade.

A empresa destaca que operações comerciais já estão em funcionamento em algumas cidades ao redor do mundo, demonstrando que a tecnologia vem avançando de forma consistente.

A companhia lembra que a DiDi, controladora da 99, acompanha e investe no desenvolvimento de tecnologias de condução autônoma há quase uma década.

Um dos exemplos mais recentes é a parceria anunciada na China com a montadora GAC Aion para o desenvolvimento de um robotáxi projetado para produção em escala, evidenciando a transição do setor da fase de pesquisa para aplicações cada vez mais próximas da operação comercial.

Apesar dos avanços, a 99 ressalta que a adoção em larga escala ainda depende de fatores como regulamentação, infraestrutura adequada, conectividade e aceitação da sociedade.

“O que observamos é que a autonomia está evoluindo gradualmente e tende a ganhar espaço à medida que esses desafios são superados”, afirma a 99.

Sobre a chegada dos robotáxis ao Brasil, a companhia acredita que a questão não é mais se a tecnologia será implementada, mas quando isso acontecerá. Segundo a empresa, a introdução desse modelo deve ocorrer de forma gradual, inicialmente por meio de projetos-piloto e operações em ambientes mais controlados, onde a infraestrutura e as condições operacionais permitam maior previsibilidade.

A 99 avalia que o ritmo dessa evolução dependerá não apenas da maturidade tecnológica, mas também dos avanços regulatórios e da adaptação do ecossistema urbano brasileiro às novas formas de mobilidade.

Para o iFood, o futuro da mobilidade deve ser mais sustentável

Na visão de Rodolfo Klautau, diretor de Logística do iFood, o futuro da mobilidade urbana passa pela combinação de diferentes tecnologias capazes de tornar as operações mais eficientes, previsíveis e sustentáveis na mobilidade urbana.

Segundo ele, a inteligência artificial já desempenha um papel central nesse processo ao otimizar todas as etapas da logística, desde o tempo de preparo dos pedidos até a definição das melhores rotas e modais de transporte.

A empresa explica que algoritmos analisam informações em tempo real, como trânsito, distância e demanda, para reduzir atrasos e tornar as entregas mais precisas. Além disso, soluções de infraestrutura, como os iFood Hubs instalados em centros comerciais, ajudam a diminuir gargalos operacionais e agilizar a retirada dos pedidos pelos entregadores.

Entre as tecnologias com maior potencial de transformação estão os drones, vistos pelo iFood como uma peça importante na construção do chamado “delivery do futuro”.

A empresa avalia que o modal aéreo pode ampliar a eficiência logística ao conectar regiões de difícil acesso ou trajetos com elevada taxa de rejeição por parte dos entregadores.

Um exemplo é a operação implantada em Alphaville, em Barueri, onde cerca de metade dos pedidos era recusada devido às dificuldades de acesso aos condomínios.

Segundo a companhia, o uso de drones permite aumentar a previsibilidade e a velocidade das entregas, sem substituir o trabalho dos entregadores parceiros.

Inteligência artificial vem ajudando a otimização dos processos (Divulgação/iFood)

“Não se trata de transformar o setor de entregas com drones, mas de utilizá-los para apoiar os entregadores em rotas que não podem ser concluídas integralmente por meios terrestres”, destaca Klautau.

Klautau afirma que os principais aprendizados obtidos nos projetos-piloto estão relacionados ao amadurecimento gradual da tecnologia e à construção de um ambiente regulatório seguro.

Desde 2021, o iFood realiza operações com drones em parceria com a Speedbird Aero e vem desenvolvendo protocolos específicos para integrar as etapas aérea e terrestre das entregas.

Segundo o executivo, os drones apresentam vantagens especialmente em trajetos que envolvem barreiras geográficas, como rios, rodovias de grande fluxo e áreas de difícil acesso. Em Sergipe, por exemplo, uma rota que levaria cerca de 30 minutos por via terrestre passou a ser realizada em apenas três minutos por via aérea.

Para os próximos dez anos, o iFood projeta uma logística cada vez mais baseada em inteligência artificial e análise de dados. A expectativa é que sistemas automatizados sejam capazes de coordenar, em tempo real, múltiplas variáveis da operação para garantir mais eficiência, previsibilidade e qualidade no serviço.

Apesar dos avanços tecnológicos, Klautau ressalta que os drones devem atuar de forma complementar às operações atuais. “O entregador continuará sendo o agente central da operação, enquanto as tecnologias automatizam etapas específicas da jornada para aumentar a eficiência logística”, afirma.

Além da expansão gradual das operações com drones em Sergipe e Barueri, o iFood também aposta em outras frentes de inovação para o futuro das entregas, como robôs autônomos de navegação, modelos avançados de inteligência artificial para tomada de decisões logísticas e a ampliação do uso de bicicletas elétricas.

Segundo o gestor, essas iniciativas também contribuem para a redução das emissões de carbono e para a construção de uma mobilidade urbana mais sustentável.

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Com informações de Gira SA

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